Campanha da Fraternidade 2020


O cartaz da Campanha da Fraternidade de 2020, cujo tema é fraternidade e vida: dom e compromisso e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), extraído da Parábola do Bom Samaritano, nos encoraja, a partir de Jesus Cristo, a servir com espírito de humanidade, cuidado e amor para com o próximo, sementes de fraternidade.

Estender a mão ao próximo é missão dos discípulos e discípulas de Cristo. No seguimento de Jesus Cristo, várias testemunhas, ao longo da história, deixaram suas marcas e nos inspiraram a viver o Evangelho. É o caso de Santa Dulce dos Pobres, o Anjo Bom da Bahia. Ela é uma das representantes do “Bom Samaritano dos nossos tempos”. Por isso, sua imagem é apresentada em perspectiva de destaque no cartaz.

Na ilustração, as pessoas que a cercam simbolizam uma população vulnerável, que clama por vida em plenitude.
O cenário escolhido para a composição do desenho foi o Bairro do Pelourinho, localizado na capital do Estado da Bahia, Salvador, berço do nascimento de Santa Dulce, representação de um Brasil de tantos lugares e culturas. Desta forma, contemplamos uma Igreja em saída, que está nas ruas e vai ao encontro das pessoas, no cuidado com a ecologia e o planeta.

CAMPANHA DA FRATERNIDADE 2020

Todos os anos, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, apresenta a Campanha da Fraternidade como caminho de conversão quaresmal. É uma atividade ampla de evangelização que pretende ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a vivenciarem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da Igreja e a transformação da sociedade, a partir de temas específicos.
Criada em 1962, a Campanha da Fraternidade é apresentada todos os anos na quarta-feira de cinzas, quando tem início a Quaresma, período de 40 dias que antecede a Páscoa.

O tema da Campanha da Fraternidade 2020 é “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), extraído da Parábola do Bom Samaritano. É a temática proposta pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para a Quaresma e também para todo o ano de 2020.
O objetivo geral é “conscientizar, à luz da Palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relação de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, nossa Casa Comum”.
Irmã Dulce, canonizada no dia 13 de outubro de 2019, é homenageada na Campanha da Fraternidade de 2020, através do cartaz. Ela é a primeira mulher nascida no Brasil a se tornar santa.
Santa Dulce dos Pobres e o Papa Francisco são apresentados como exemplos de bons samaritanos e como inspiração de caridade e solidariedade nos dias atuais.
A CAMPANHA APRESENTA DEZ OBJETIVOS ESPECÍFICOS:

A) Apresentar o sentido de vida proposto por Jesus nos Evangelhos.

B) Propor a compaixão, a ternura e o cuidado como exigências fundamentais da vida para relações sociais mais humanas

C) Fortalecer a cultura do encontro, da fraternidade e a revolução do cuidado como caminhos de superação da indiferença e da violência.

D) Promover e defender a vida, desde a fecundação até o seu fim natural, rumo à plenitude.

E) Despertar as famílias para a beleza do amor que gera continuamente vida nova.

F) Preparar os cristãos e as comunidades para anunciar, com o testemunho e as ações de mútuo cuidado, a vida plena do Reino de Deus.

G) Criar espaços nas comunidades para que, pelo Batismo, pela Crisma e pela Eucaristia, todos percebam, na fraternidade, a vida como dom e compromisso.

H) Despertar os jovens para o dom e a beleza da vida, motivando neles o engajamento em ações de cuidado mútuo, especialmente de outros jovens em situação de sofrimento e desesperança.

I) Valorizar, divulgar e fortalecer as inúmeras iniciativas já existentes em favor da vida.

J) Cuidar do planeta, nossa Casa Comum, comprometendo-se com a ecologia integral.

Veja os vídeos com o Hino da CF 2020:

https://www.youtube.com/watch?v=3gHMqqthncc

https://www.youtube.com/watch?v=3gHMqqthnc

VÍDEO OFICIAL DA CF - 2020 https://www.youtube.com/watch?v=ALFdxGH5bx4

CONTEXTUALIZANDO
O tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso”, foi buscar na Parábola do Bom Samaritano (Lc 10), o modelo de relação e encontro que deve nortear a Missão da Igreja. Os três verbos que aparecem no versículo que serve de lema – Ver, sentir compaixão e cuidar – remetem COMO método adotado na caminhada eclesial. Na parábola do bom samaritano, Jesus deixa bem claro de que maneira o Amor a Deus e ao próximo transforma concretamente as pessoas, as relações e o mundo.

O olhar, assim como as outras habilidades humanas, também pode ser treinado, dirigido e orientado de acordo com uma série de interesses, prioridades e valores. Na parábola do Bom Samaritano podem ser identificados três tipos de olhar: viu, sentiu compaixão e cuidou dele.

VIU

1) O olhar dos assaltantes – Viram naquele homem que passava uma oportunidade de obter benefício imediato sem grande empenho, o deixaram ferido, espoliado e quase morto à beira do caminho. Trata-se do olhar do egoísmo, da exploração, do ódio, totalmente alheio aos princípios da ética, da empatia e da compaixão.

2) O olhar do levita e do sacerdote – É o olhar da indiferença, da inversão dos valores da incompreensão do que é prioritário. É a postura que nasce do individualismo, da sede crescente pelo consumo, da cultura do descartável, opções de vida que vêm sendo profundamente criticadas pelo Papa Francisco em seus discursos, entrevistas e nos documentos papais.

3) O olhar do samaritano – É o olhar solidário, do serviço e do comprometimento. Na cena em que os assaltantes enxergaram uma oportunidade de lucro fácil, o levita e o sacerdote, simplesmente passaram adiante ficando totalmente indiferentes, o samaritano viu um irmão que necessitava de um cuidado urgente e imediato. O samaritano estava preocupado em socorrê-lo e garantir-lhe a sobrevivência. É o olhar da disponibilidade, da doação gratuita e da identificação com o outro, especialmente com suas lutas e dores. É o modo de olhar adotado por Jesus (cf. Mt 9,36) e que Ele convida seus discípulos a também assumir.

SENTIU COMPAIXÃO

Sentir compaixão é aproximar-se de Jesus Cristo e, num mesmo movimento, inclinar-se para o próximo e construir uma relação de reverência e fraternidade com os bens da criação.

1) Compaixão e justiça – Na prática de Jesus, o senso de justiça ultrapassa o limite da retribuição baseado na máxima de premiar quem acerta e punir quem erra. Nesta direção aponta o trecho do Sermão da Montanha no qual o Filho descreve o modo de proceder do Pai: “Amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem. Deste modo sereis os filhos de vosso Pai do céu, pois ele faz nascer o sol tanto sobre os maus como sobre os bons, e faz chover sobre os justos e sobre os injustos.”

2) Compaixão e misericórdia – Misericórdia é o movimento do coração que se dispõe ao encontro. É iniciativa que parte de Deus e se manifesta em Jesus Cristo.
A missão, que Jesus recebeu do Pai, foi a de revelar o mistério do amor divino na sua plenitude. « Deus é amor » (1 Jo 4, 8.16): afirma-o, pela primeira e única vez em toda a Escritura, o evangelista João. Agora este amor tornou-se visível e palpável em toda a vida de Jesus.

3) Compaixão e caridade – Baseando-se na Doutrina Social da Igreja, o Texto-Base da CF 2020 chama atenção para a dimensão social e comunitária da caridade, como elemento de transformação da sociedade. Além de ser compromisso individual do cristão, também se espera que seja uma “força capaz de suscitar novas vias de enfrentamento dos problemas do mundo de hoje renovando estruturas, organizações pessoais e ordenamentos jurídicos” (Cf. Texto-Base CF 2020, p. 75).

CUIDOU DELE

A dimensão do cuidado remete à prática transformadora da compaixão que é despertada por um olhar que se deixa tocar pelos apelos da realidade. No Texto-Base, podem ser encontradas 57 sugestões de ações concretas que têm no cuidado seu ponto de partida. Elas estão compreendidas entre os números 214 e 216 do documento. (Cf. Texto-Base CF 2020, n. 117).

CONCLUINDO

Não faltam documentos e reflexões para nortear o percurso pessoal e comunitário que a Igreja do Brasil sugere para a Quaresma e durante o ano de 2020. O próprio Magistério do Papa Francisco é pródigo em oferecer caminhos de ousadia, coragem e desprendimento a todos aqueles que desejam se aprofundar na radicalidade cuidadosa proposta no Evangelho.


Fonte: - Campanha da Fraternidade 2020: Texto-Base/CNBB.
campanha-da-fraternidade-2020-cartaz-967035
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